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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

LUCIDEZ, livro de arte de Taissa Nasser.



A artista plástica e arquiteta paulistana Taisa Nasser lançou no Espace Pierre Cardin, em Paris, seu primeiro livro de arte, no qual é possível admirar o talento e a grandiosidade de suas pinturas. Denominado Lucidez, a obra reúne 63 trabalhos de sua fase atual que aborda a pesquisa artística e as formas de imaginação que exploram a matéria e a dinâmica da vida em conexão com a teoria.


O livro tem textos de apresentação da artista traduzidos do português para os idiomas inglês, francês e alemão, nos quais ela extravasa seus conceitos e suas questões sobre a trajetória terrestre, trazendo algumas importantes mensagens a respeito da vida além da matéria - veja abaixo o artigo escrito pelo crítico de arte Guillaume Elmassian.


"A proposta é oferecer ao público um diálogo entre a arte e outros conhecimentos", explica Taisa. Ela acrescenta ainda que procura unir em seu trabalho a teoria e temas voltados a despertar o ser humano para obter sua libertação de amarras psicológicas e ir ao encontro de si, de sua alma. E vai além: "A arte é uma forma do ser humano sair da matéria e entrar no plano do espírito, no plano do sutil e neste livro está um pedaço de minha vida , onde há esforço, determinação. E foco para o superior".


O livro também faz parte de uma exposição no Grand Palais de Paris, inaugurada dia 27 de novembro último no Salon dês Artistes Independeants e aberta ao público até o dia 2 de dezembro de 2012. Nesta mostra, Taisa propõe um diálogo entre os suportes com quatro telas de grandes dimensões, acompanhadas por um filme deMiguel Cianca, chamado Lucidité, com detalhes sobre a criação dessa instalação e você pode saber mais sobre ele acessando este link: http://vimeo.com/53208325.

LUCIDEZ - POR GUILLAUME ELMASSIAN


"Até quando a humanidade poderá viver sem lucidez, sem equilíbrio entre o corpo e a mente, a sombra e a luz, a matéria e o espírito?"

Um punhado de palavras colocado diante de um ponto extraordinário, e no entanto, a terra quase nada valeria sem o seu movimento.

E sua rotação nada seria sem a matéria.

No Espace Pierre Cardin , durante o evento de lançamento de seu livro de arte Lucidez , Taisa Nasser assina sua obra . Ao redor suas próprias telas compõem o espaço, e tanto curiosos como experts, se juntam e fazem perguntas diante das questões e conceitos propostos.

Em páginas de papel couché, as telas e os detalhes se sucedem. Uma resposta hipotética é tocada com a ponta dos dedos.

As tribulações criativas da artista contemporânea nos levam ao caminho de sua introspecção.

O imaginário do movimento e a realidade da matéria estão impressos nas telas.

Lucidez, 7 letras que ecoam como um chamado, não apenas como um título.

Se, em cada encontro, irrompe energia - e deste ainda mais -, parecerá o instante em que a alma do homem eleva-se acima de seus dilemas, abraça, envolvendo com paixão e ternura o divino. Então , uma multidão de cores reage. Cores quase epidérmicas.

Contemplando as telas de Taisa Nasser, vemos as cores se aninharem no ventre da luz, esta, a rainha de um movimento perpétuo.

Cada página é uma descoberta, o mundo se cria sem ignorar as dúvidas e as fragilidades do homem.

Orfeu, herói da trácia, cantava sua poesia acariciando a lira de nove cordas, com tanta pureza que fazia o inanimado se mover.

A natureza em harmonia respondia lhe seguindo. Divindade da criação, não teria Orfeu sido a prova de que o artista deveria ser um alquimista? Um reconciliador compondo uma unidade com o micro e o macro , com o universo e o homem. Na confiança e na inconsciência. E assim indo até uma nova consciência.

O homem, o homem-alquimista faz a vinculação. Vê o universo como ele é. Vê o micro da mesma maneira que o macro.

O homem, ridiculamente pequeno e no entanto tão infinito.

Ele observa, tanto quanto sente o movimento, dado que ele vive a matéria e se identifica com os estigmas do quadro, como cicatrizes. Testemunha silenciosa dos conflitos entre a matéria e o movimento.

Lucidez surge como um condensado de suas pesquisas sobre a humanidade, a percepção e a interpretação. Se for próprio do homem fazer questionamentos, lucidez é certamente a reflexão sobre suas respostas.

"O diálogo entre a arte e os outros saberes", como escreve a artista contemporânea, Taisa Nasser.

Numa sociedade cada vez mais presa às divisões e ao individualismo levado ao seu paroxismo, a incessantemente reinventada pintura de Taisa Nasser torna-se uma maneira de discorrer numa linguagem universal feita de cores.

Conjugar matéria e movimento. Feita de carne, de alma e de forma.

Então, "até quando a humanidade poderá viver sem lucidez, sem equilíbrio entre o corpo e a mente , a sombra e a luz , a matéria e o espírito?"

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