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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Drama histórico de Benoît Jacquot abre na quinta a 62.ª edição do Festival de Cinema de Berlim. Brasil marca presença nas mostras paralelas.


Começa na quinta-feira e segue até o dia 19 a 62.ª edição do Festival de Berlim, um dos eventos cinematográficos mais importantes do mundo. Agendado estrategicamente para o mês em que são divulgadas as indicações do Oscar, a Berlinale se firma cada vez mais como a plataforma de lançamento europeia das grandes produções do cinema mundial.
Dieter Kosslick, diretor do festival, destacou em uma nota oficial que os filmes desta edição são, em sua maioria, pré-estreias mundiais. “Isso avaliza a importância da Berlinale. São filmes para os tempos de crise que vivemos. Tratam de mudanças, recomeços e retratam a história do ponto de vista de todos que estão sofrendo as turbulências da era atual”, ressaltou.
O Brasil está presente na mostra oficial como coprodutor de Tabu, do português Miguel Gomes, e marca presença na mostra paralela Panorama em dois momentos: na Principal, com Xingu, e na Documenta, com Olhe pra Mim de Novo.O festival terá início com a exibição de Les Adieux à la Reine, do francês Benoît Jacquot, que traz no elenco Diane Kruger (Bastardos Inglórios), Léa Seydoux e Virginie Ledoyen. O filme é uma adaptação para as telas do livro O Adeus à Rainha, de Chantal Thomas, que retrata os primeiros dias da Revolução Francesa na perspectiva dos empregados de Versalhes.
Xingu, de Cao Hamburger – estrelado por João Miguel, Felipe Camargo e Caio Blat – reconstitui a saga dos irmãos Villas-Boas, em sua missão desbravadora pelo Brasil Central.
O diretor retorna à Berlinale, onde concorreu em 2007 ao Urso de Ouro com O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias.
Em declaração à Gazeta do Povo, Hamburger manifestou sua satisfação por retornar ao festival. “Berlim é a elite do cinema mundial. Essa história não poderia estar em outro lugar”, ressaltou.
Olhe pra Mim de Novo, de Kiko Goifman e Claudia Priscilla, por sua vez, é um road movie pelo sertão nordestino que revela o dia a dia do transexual Sylvio Luccio.
Entre os curtas-metragens nacionais, estarão no festival L, de Thais Fujinaga (mostra Geração), e Licuri Surf, de Guile Martins (mostra competitiva do formato).
Oficial
A mostra mais importante do evento – cujo júri será presidido pelo diretor britânico Mike Leigh (Simplesmente Feliz) – terá 23 filmes, 18 dos quais em competição.
Com muitos novatos, os destaques entre os títulos em competição, além do filme de abertura, são: Cesare Deve Morire, dos irmãos Paolo e Vittorio Taviani; Captive, o esperado filme do controverso diretor filipino Brillante Mendoza; Home for the Weekend, do alemão Hans-Christian Schmid, que tenta o Urso de Ouro pela quarta vez; Jayne Mansfield’s Car, do ator e diretor americano Billy Bob Thornton; e White Deer Plain, do chinês Wang Quan’an, ganhador do Urso de Ouro em 2007 com O Casamento de Tuya.
Também se destacam Tão Forte e Tão Perto, do americano Stephen Daldry (indicado ao Oscar de melhor filme este ano) e The Flowers of War, do chinês Zhang Yimou (O Clã das Adagas Voadoras), que terão sua première eu­­ropeia na mostra oficial fora de competição.
Na Berlinale Especial, três filmes estão entre os mais esperados: Marley Documentary, de Kevin MacDonald, sobre o lendário cantor de reggae Bob Marley (1945-1981); Death Row, uma série de quatro documentários sobre os condenados do corredor da morte, de Werner Herzog; e In the Land of Blood and Honey, de Angelina Jolie, estreia da atriz na direção de um longa de ficção.
Haywire, thriller de Steven Soderbergh (O Desinformante) também integra a mostra oficial e será apresentado numa sessão especial.
Aniversário
A mostra Panorama, destinada a filmes de cunho social e qualidade artística, completa 26 anos com a exibição de 53 títulos vindos da Europa, Estados Unidos, América Latina e Ásia.
Além de Xingu e Olhe pra Mim de Novo, são destaques da mostra os longas 10+10, projeto coletivo de dez diretores, entre eles, Hou Hsiao-hsien; Keep the Lights On, de Ira Sachs (com roteiro do brasileiro Mauricio Zacharias); La Mer à l’aube, de Volker Schlöndorff (Alemanha); e Indignados, de Tony Gatlif (França).
Homenagens
O Urso Honorário desta edição será entregue à atriz americana Meryl Streep. Numa longa carreira que inclui cerca de 60 filmes e muitos prêmios, Meryl está indicada ao Oscar por seu desempenho como Margaret Thatcher em A Dama de Ferro, de Phyllida Lloyd.
A tradicional retrospectiva será dedicada aos lendários estúdios de cinema germano-russos conhecidos como a Fábrica de Sonhos Vermelha e incluirá mais de 40 filmes, entre eles, clássicos do cinema soviético, como O Fim de São Petersburgo (1927) e Tempestade sobre a Ásia (1928), ambos de Pudovkin; e Outubro (1928), de Serguei Eisenstein.
O Estúdio Babelsberg, que está celebrando o seu centenário neste mês, também será homenageado nesta edição da Berlinale. A retrospectiva – intitulada Feliz Aniversário, Estúdio Babelsberg – apresentará um filme de cada década de sua produção, que inclui títulos como A Última Gargalhada, de Friedrich W. Murnau; Metropolis, de Fritz Lang e Os Assassinos Estão entre Nós, de Wolfgang Staudte.

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